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27.04.2009
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Acontece amanhã, a partir das 17h30, na Arte Plural Galeria (www.artepluralgaleria.com.br), o segundo Crispim Debate de 2009. Dessa vez, um tema bastante conhecido de todos, mas numa nova roupagem: convidamos Eduardo Melo França (doutorando do Programa de pós-Graduação em Letras da UFPE) e Anco Márcio Tenório Vieira (professor e pesquisador da UFPE) para debater conosco as novas leituras a que vem sido submetida obra de Machado de Assis. Um século após a morte do autor, cabe a pergunta: haverá ainda algo de novo a se dizer sobre o seu legado? Eduardo França, que lança na ocasião o seu Ruptura ou amadurecimento: uma análise dos primeiros contos de Machado de Assis (Editora UFPE, 2008), não parece deixar dúvidas. Como sempre, estão todos convidados.
Abraços,
Os editores
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crispim lançamento debate
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24.04.2009
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Continuando a semana de posts telegráficos (quanto mais tenho tempo, menos tenho), uma anedota que pincei da ótima revista do Instituto Moreira Salles, a Serrote (www.revistaserrote.com.br). Está no artigo "O google e o futuro dos livros", de Robert Darnton:
"A República das Letras [nota minha: o espaço social de convivência política imaginado pelo iluminismo no século XVIII; tratava-se dos hipotéticos modos de viver sem conflito que surgiriam de uma vida intelectual baseada no amor pela escrita e pela leitura, principalmente da filosofia e literatura] só era democrática em princípio. Na prática, ela era dominada pelos bem-nascidos e pelos ricos. Longe de poder viver de suas plumas, a maioria dos escritores tinha que cortejar patronos, solicitar sinecuras, fazer lobby por nomeações de publicações estatais, esquivar-se dos censores e disputar seu acesso a salões e academias onde as reputações se faziam. Enquanto sofriam injustiças nas mãos de seus superiores sociais, eles se voltavam uns contra os outros. A disputa entre Voltaire e Rousseau ilustra seus respectivos temperamentos.EM 1755, após ler o Discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité parmi les hommes [Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens], de Rousseau, Voltaire escreveu a ele: "Recebi, Monsieur, seu novo livro contra a raça humana... Ele nos faz desejar cair de quatro". Cinco anos depois, Rousseau escreveu a Voltaire. "Monsieur..., eu o odeio".
Eu imagino Rousseau e Voltaire fazendo biquinho enquanto liam e escreviam estas cartinhas. Curioso que pouco mudou e a República das Bananas, com seus escritores e políticos esperneando, segue firme e forte.
(Cristhiano Aguiar)
(publicado em: http://cristhianoaguiar.blog.uol.com.br/)
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revista serrote Voltaire Rousseau Iluminismo
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24.04.2009
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O pessoal dos Urros Masculinos fará, amanhã, uma flash mob literária no Shopping Center recife, em homenagem a Manuel Bandeira. Não estaremos lá, pois a Crispim prestigiará a flash mob matrimonial do nosso companheiro Eduardo Maia, que ocorrerá no mesmo horário. Para quem quiser saber mais sobre o evento do urros, dá uma olhada aqui:
http://urrosmasculinos.wordpress.com/
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urros masculinos flash mob
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21.04.2009
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O número 100 da revista Continente publica, na sua última página, uma crônica do jornalista Ricardo Noblat sobre o tema: "escrever para quê?".
No texto, Noblat cita o escritor inglês George Orwell (1903-1950). Segundo Orwell, escrevemos por quatro motivos. Eles são:
1) Completo egoísmo. Desejo de parecer esperto, de ser comentado, de ser lembrado depois da morte.
2) Entusiasmo estético. A percepção da beleza no mundo exterior, ou, por outro lado, nas palavras e no seu arranjo correto. O desejo de compartir uma experiência que se sente que é valiosa e não deveria ser perdida.
3) Impulso histórico. O desejo de ver as coisas como elas são, de descobrir os fatos verdadeiros e de guardá-los para a posteridade.
4) Propósito político. O desejo de levar uma palavra em uma certa direção, de alterar a ideia de outras pessoas sobre o tipo de sociedade à qual elas devem aspirar.
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Revista Continente Multicultural Ricardo Noblat George Orwell
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21.04.2009
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Abaixo, uma breve reflexão do poeta e filósofo Antonio Cicero sobre o teórico e critico inglês Terry Eagleton.
ANTONIO CICERO
Os estudos literários e o cânone
Pensamento de Terry Eagleton sobre "grande tradição" da literatura é presunçosa e ingênua
COMO MUITOS outros críticos literários contemporâneos, Terry Eagleton pensa que "o chamado "cânone literário", a "grande tradição" inquestionada da "literatura canônica", precisa ser reconhecido como um constructo, modelado por pessoas particulares, por razões particulares, em determinado momento".
Apesar de presunçosa, é na verdade ingênua a afirmação de Eagleton. A ironia da referência à "grande tradição" é impotente: queira-se ou não, o cânone literário é uma grande tradição. Deve-se dizer, porém, que ela está longe de ser inquestionada ou inquestionável. Ao contrário, essa tradição se construiu e se mantém hoje, entre outras coisas, através do questionamento e por causa dele.
Trata-se de um constructo, sem dúvida, desde que se retire dessa palavra qualquer conotação de arbitrariedade, uma vez que não pode ser considerado arbitrário aquilo que, tendo se submetido à crítica incessante e implacável, sobrevive. O cânone nada tem a ver com as coisas que são "modeladas por pessoas particulares, por razões particulares, em determinado momento". Essas, produzidas por sociedades fechadas, são impostas à força. Só por cegueira ideológica pode alguém pretender que seja assim a sociedade moderna. Eagleton se considera marxista. A certa altura, ele comenta que "Karl Marx se preocupara com a questão de saber por que a arte grega conservava um "encanto eterno", embora as condições sociais que a haviam produzido já tivessem passado há muito tempo".
Normalmente, o texto em que Marx assim fala é tomado como uma prova da grandeza do autor de "O Capital", que teria preferido reconhecer uma dificuldade da sua teoria a tentar encaixar toda a arte do mundo no leito de Procusto da ideologia ou da "superestrutura". Desse modo, Marx teria preservado o seu -o nosso- direito de amar a beleza da arte do passado.
Não é o que pensa Eagleton. Mais marxista que Marx, ele vê nisso uma fraqueza, e pergunta: "Como podemos saber que [a arte grega] permanecerá "eternamente" encantadora, se a história ainda não terminou?" Segundo ele, se, por exemplo, uma descoberta arqueológica nos obrigasse a reconhecer que as preocupações das audiências originais da tragédia grega eram inteiramente alheias às nossas, poderíamos deixar de apreciá-las.
Ora, quem verdadeiramente ama um poema -como Marx, por exemplo, ama poemas de Homero- ama-o porque considera que ele lhe pertence e lhe diz respeito de um modo extremamente íntimo: porque intimamente conhece e, em reciprocidade, sabe ser conhecido pelo poema que ama. Conhecer desse modo um poema e amá-lo é tê-lo pela expressão acabada de alguma dimensão fundamental do próprio ser.
Pergunto-me: como é possível que Eagleton suponha que, seja qual for a "habilidade" de uma revelação arqueológica, ela possa ser maior e mais importante que a revelação oferecida pelos próprios textos das tragédias? Pensemos em "Édipo Rei", por exemplo. Como ele é capaz de imaginar que "Édipo Rei", ou "Prometeu Acorrentado", ou "As Bacantes", ou qualquer uma das grandes tragédias possa ser ofuscada ou anulada por uma descoberta arqueológica?
A resposta é clara: ele pensa assim porque não tem uma relação vital com a poesia; porque, para ele, a poesia não vale por si. É evidente que tal modo de se relacionar com a poesia não pode resultar de uma decisão intelectual. Ao contrário: a decisão intelectual sobre o valor (ou a ausência de valor) da poesia é que é resultado da relação real que o leitor estabelece com ela. Não é porque decide que a poesia não tem valor que ele deixa de ter uma relação vital com ela: é antes porque não tem uma relação vital com a poesia que ela não tem valor para ele.
Na verdade, estou sem dúvida exagerando no que diz respeito a Eagleton. Com certeza a poesia tem algum valor para ele. Está longe, evidentemente, de ser um valor imanente e vital, como para Marx. Creio que para Eagleton, como para muitos, um poema ou uma tragédia têm o valor de um documento histórico como qualquer outro. Ora, basicamente o que interessa saber sobre um documento histórico são duas coisas: se ele é autêntico e o que representou para as pessoas que o produziram ou dele se serviram. Ele se reduz a um índice ou sintoma de uma relação social. Daí a importância atribuída à arqueologia.
Infelizmente, é essa a relação com a literatura que parece determinar a atitude ante o cânone que hoje predomina no campo dos estudos literários acadêmicos "posmodernos" e/ou marxistas.
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cânone Terry Eagleton Antonio Cicero
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13.04.2009
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A revista Crispim foi prestigiar o debate organizado pela revista Continente, que realiza, com seu centésimo exemplar, uma bem-vinda remodelação do seu design e foco editorial. Por conseguinte, o bom suplemento cultural Pernambuco também passou por mudanças. Esperemos que estas duas boas publicações possam conquistar mais espaço e circular ainda mais, incrementando o debate de ideias.
O evento, que contou com a presença do editor da Bravo! (www.revistabravo.com.br) João Gabriel de Lima e que contaria também com o jornalista Daniel Piza – que não pôde comparecer – tratou justamente de jornalismo cultural. O editor da Bravo! falou sobre uma tendência do jornalismo das últimas décadas de notícias mais curtas e objetivas, modelo inspirado pelo jornal USA Today e que foi copiado por jornais como a Folha de São Paulo, por exemplo. Textos de maior fôlego e mais autorais foram deixados de lado: ao que parece, o leitor não queria mais saber de artesanato.
Sempre me intrigou o quanto os jornalistas parecem ter certeza do que realmente as pessoas querem. Lembro agora de uma amiga, estudante de comunicação na Católica, que teve uma palavra cortada do seu texto, por um professor, sob a alegação de que ela era inadequada aos leitores de jornal. Não recordo agora a palavra, mas posso garantir que qualquer pessoa com um mínimo de letramento compreenderia a dita cuja. Naquele livro de Manguel que citei para vocês no post anterior, existe uma mal-humorada avaliação dos efeitos da indústria cultural no mercado de livros hoje. Não vou entrar em detalhes, pois nem sequer concordo com a leitura apocalíptica do ensaísta argentino, no entanto ele fala algo com propriedade: somos todos capazes de gostar de coisas boas, por isso o esforço que muitos ramos da mídia fazem não é o de nos tornar mais espertos, mas sim de nos tornar mais burros.
Este parece ser um dos desafios da conjunção mídia, indústria e cultura: alguns dos seus agentes parecem perigosamente seduzidos pelo senso comum e hiper-valorizam a própria formação cultural, muitas vezes cheia de lacunas.
Segundo João Gabriel de Lima, a chegada da internet trouxe importantes mudanças não apenas à dinâmica do trabalho dos jornalistas, como também à forma como os textos passam a ser escritos. Aquele texto funcional – "jornalismo de serviço" – migra cada vez mais para os portais de notícias e temos um retorno a um texto mais criativo e autoral. De vez em quando leio a Bravo! e já tinha visto um editorial dele defendendo esta ideia.
João Gabriel de Lima acredita que as mídias em papel que atualmente conseguem sobreviver investiram neste retorno à verticalidade. Confesso que tenho um pouco de dificuldade de ver isto na própria Bravo!. Há uma tentativa de escrever um outro tipo de texto, de fato, mas ainda muito aquém dos quesitos "profundidade" e "criatividade". Acredito que outras revistas, como a Piauí, a Continente e a Cult, deram passos mais interessantes. De qualquer modo, é bom ouvir uma valorização de textos que deslizem para o literário – a literatura é o não-serviço, a não-norma, a negatividade que abre janelas – e a vontade de não ser uma mera agenda cultural do Rio-São Paulo.
Por fim, um questionamento que só me fiz depois, mas que na hora poderia ter gerado uma boa discussão: o esvaziamento da crítica. João Gabriel de Lima definiu os gêneros textuais que são utilizados na revista – perfis, entrevistas, reportagens, etc. – e enfatizou, em algum momento, que o foco não é a atividade crítica. Isso é verdade. Falta fazem os ensaios dos tempos áureos da revista (ausência justificada pelo pouco dinheiro que ela dispõe para investir); além disso, embora ainda haja um espaço para a crítica, os textos são muito curtos, muito funcionais. Por toda a Bravo! parece faltar este eixo da crítica, que faz parte não somente do gênero "crítica" em si, mas que também pode fazer parte de outros.
Uma das angústias das revistas de cultura, segundo João Gabriel, consiste em se diferenciar dos cadernos C dos jornais; para conseguir isso e alcançar profundidade e criatividade, a crítica enquanto centro de criação destes textos me parece fundamental.
E o debate continua. Nesta quinta-feira, teremos em Recife a presença do Rogério Pereira, editor do único jornal dedicado exclusivamente à literatura, o Rascunho (rascunho.rpc.com.br). O local e o horário ainda serão definidos. Assim que soubermos, diremos para vocês.
Uma boa semana!
Cristhiano Aguiar
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07.04.2009
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Revista Continente Multicultural
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04.04.2009
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Rosângela Rennó, Cartologia, 2000
Cansei do desespero. Chega de acreditar que não há mais “real”. Que a política acabou. Que a literatura não serve para nada. Que não é possível verdade alguma. Que todo discurso é uma mera imposição de “poder”. Chega de ouvir aqueles que simplificam o próprio potencial crítico pensando em blocos e coleiras.
Só tenho perdão a conceder aos suicidas, porque apenas a estes cabe a responsabilidade de viver num mundo sem sentido. Se você não é um deles, então te convido a lutar contra o cinismo. O cruz do nosso tempo, a que carregamos nas costas, tem a forma de uma interrogação. Tudo bem. Mas vamos em frente.
Vi dois terríveis prédios arruinados em São Paulo, perto do mercado municipal, os famosos cortiços verticais, erodidos e espocados. Há vários deles aqui em Recife, me lembro agora os do Recife Antigo e de Boa Viagem. Não há como fugir da sedução das ruínas. De fato, elas têm beleza. Agora, entretanto, quero outras. Não se trata de esquecer a miséria e o mal, mas sim de não apequenar a complexidade da nossa experiência com o mundo e com tudo que carregamos dentro de nós mesmos.
Dois livros lidos há pouco reforçam estas ideias. Se eu pudesse colocá-los num gênero, diria que se tratam de dois exemplares de uma necessária “crítica literária movida pela esperança”. O primeiro deles é Literatura em perigo, do teórico búlgaro Todorov, no qual ele faz um balanço do ensino da literatura na França, ensino este perdido num excesso de formalismo, e reitera a pertinência de poemas, contos e romances no mundo de hoje, pois “pode-se dizer que Dante ou Cervantes nos ensinam tanto sobre a condição humana quanto os maiores sociólogos e psicólogos e que não há incompatibilidade entre o primeiro saber e o segundo”.
O segundo livro é “A cidade das palavras”, de Alberto Manguel. Neste livro, uma série de conferências que este autor argentino proferiu faz alguns anos, parte-se de uma pergunta fundamental: “por que nós, seres humanos, ainda vivemos juntos?”. Manguel vai mostrar que um dos motivos para continuarmos juntos é que continuamos a trocar experiências utilizando a palavra como veículo privilegiado deste intercâmbio. Por isso, a literatura tem um papel importante a cumprir, pois ela desempenha muito bem este papel. Não apenas ela nos mantém juntos, como contém metáforas que problematizam esta convivência: ao ler os mitos, as tragédias gregas, os poemas épicos e o Quixote, Manguel mostra como esta reflexão é realizada.
Para encerrar, um trecho do livro de Manguel: “O poeta, o oráculo, só pode trabalhar no âmbito de uma linguagem compartilhada, mas tão finamente urdida que, em seus melhores momentos, ela parecerá ‘obscura’ aos leitores, uma vez que resiste a explicações sumárias. Nisso reside a grande riqueza e a grande dificuldade da literatura: em não ser dogma. A literatura registra fatos, mas não estabelece postulados absolutos, não impõe princípios indiscutíveis, não oferece identidades unívocas”.
Cristhiano Aguiar
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03.04.2009
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O número 5 da Tatuí — revista de crítica de arte, a esta altura, deve estar circulando pelo Recife, nas mãos de uns e de outros, e, quem sabe, em pleno ato de leitura. Embora não o tenhamos anunciado em tempo aqui no blog, por uma falha nossa muito grande, mais vale tarde do que nunca: o lançamento da revista aconteceu às 19h de ontem, no Museu do Estado. Segundo as nossas convidadas da última terça-feira (ver último post), as editoras Ana Luisa Lima e Clarissa Diniz, a revista terá sido distribuída gratuitamente entre os presentes. O tema da edição, apelidada "oficialmente" de "Edição do Passado", são as várias formas pelas quais as artes e a cultura em geral, no momento, vêm se ocupando do passado, ora copiando-o em re-edições esvaziadas, ora transformando-o para atender ao hoje, ora ignorando-o, entre outras atitudes possíveis. Das artes plásticas à literatura (texto de Cristhiano Aguiar), passando pela MPB: os âmbitos visitados pelos textos são vários. Deixamos aqui a indicação de leitura — apenas reiterando o que a conversa de terça deixou claro, ou seja, a certeza de que as meninas têm, sim, muito a dizer. Vai aqui, aliás, um pequeno registro do evento.
Entre as questões discutidas, cremos que tenham estado as mais incômodas — as mais relevantes. Aprendemos sobre aspectos bem práticos, como todo o aparato institucional que hoje integra a dinâmica interna das artes visuais, com os seus editais, e o caráter relativamente restrito do mercado de obras artísticas, se comparado ao consumo sempre crescente de outros índices de status social (a arte já foi um deles). Semelhantemente ao que acontece com a poesia, as insatisfações que aqui e ali repontam podem ter base em várias instâncias: ora somos nós, que não estamos instrumentalizados para nos acercarmos de tais manifestações, o que mostra as lacunas em nossa formação comum e a necessidade de uma crítica tão consistente quanto pedagógica; ora são os próprios produtos artísticos que, alheados puerilmente do que seja o mundo, esquecem-se de aspirar a qualquer coisa que ultrapasse a pura irrelevância. As causas variam de caso a caso, mas o resultado é análogo: o desgaste da relação entre arte e público.
No campo teórico, vimos uma atitude que parece válida também ao se falar em poesia. O caso é que a discussão sobre uma obra ser ou não ser arte terá perdido completamente o sentido depois de Duchamp, e depois de seus vários desdobramentos. Em outras palavras, de fato, "qualquer coisa" poderá ser chamada de arte ou poesia, na medida em que não há definição incontroversa e estável sobre o que sejam, sobre o que as caracteriza. Declarar algo como arte, hoje, não demanda nada além da vontade, o que pode, sim, deixar muitos de cabelo em pé. Por outro lado, ao largo dessa questão, há uma outra discussão que parece continuar legítima, à revelia da liberdade total dos rótulos arte e poesia: a discussão sobre o que queremos hoje dessa arte ou não-arte — riqueza sensorial e cognitiva de suas experiências?, relevância e pertinência de seus sentidos?, etc. É a discussão sobre o que queremos dela como leitores e fruidores, a recompensa que dela esperamos, para além do que sejam os seus meios, os seus materiais, os seus processos, etc. Arte ou não-arte, enfim, queremos que ela seja "boa". Fórmula para isso não há, mas é por isso que são importantes empenho e envolvimento críticos — incansáveis — frente à produção. A proposta da Tatuí — "crítica de imersão", nos explicou Ana Luisa —, ao que parece, não está alheia a isso.
Abraços, e até o próximo debate.
Artur A. de Ataíde
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26.03.2009
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Na próxima terça-feira, dia 31 de março, a partir das 17h, na Arte Plural Galeria, terá lugar a volta do Crispim Debate. Dessa vez, vamos conversar com as curadoras e críticas de arte Ana Luisa Lima e Clarissa Diniz, que editam juntas a Tatuí — revista de crítica de arte, cujo mais novo número está prestes a sair.
O encontro da Crispim com a Tatuí, diga-se de passagem, não é um evento inédito. Tivemos a oportunidade de trabalhar com colaboradores e editores da revista quando da organização da Mostra Resíduos (ver postagem do 17.07.2007). Desde então, ficou o desejo de levar adiante e ampliar o diálogo que, aqui e ali, seja nos bastidores da mostra, seja nos encontros fortuitos posteriores, tivemos a oportunidade de iniciar. Eis que é chegada a boa hora.
Os modos pelos quais as artes plásticas e a literatura dialogaram no decorrer da história, e continuam a dialogar hoje em dia, nos parecem inumeráveis. Podem dizer respeito tanto ao ponto de vista de quem as produz, respondendo ao mundo em volta com o ato de fazer (lembro aqui o sentido amplo da palavra "poesia" entre os gregos), quanto do ponto de vista de quem, simplesmente, as tenta entender e criticar — e conseqüentemente perpetuar — em meio ao concerto geral da cultura. Salvo engano maior, os pontos de interesse na discussão sobre a literatura de hoje, de algum modo, reaparecem na discussão sobre a arte contemporânea. Será? É sobre ela que buscamos nos acercar em nosso encontro de terça, para o qual, claro, estão todos convidados.
Aos que busquem alguma espécie de prévia, vão aqui dois links que podem ajudar:
www.artepluralgaleria.com.br
www.revistatatuí.com
Abraços e até lá,
Artur A. de Ataíde
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crispim Tatuí arte crítica de arte debate
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